quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Golpe 2016: só 2 grandes países não tiveram guerra civil



 DEMOCRACIA SENDO ASSASSINADA

Análise do Brasil em 2016:
Bancos, TV  Globo e  
jovens juízes de primeiro grau e 
jovens no MP golpeando a Constituição

 Está muito barato comprar corrupto congressista no Brasil. A PEC da Maldade saiu por uma pechincha. Os parlamentares estão acuados pela Lava Jato. E por assim estarem, a democracia está por um triz, ou já morta.

 É mais fácil voltar mais uma ditadura do que os que pretensamente combatem a corrupção impedirem que os maiores corruptos do Brasil percam o poder total no Palácio do Planalto que acabaram de conquistar sem plataforma nem  eleição.

O golpe de Estado que derrubou Dilma Rousseff, golpe reconhecido em todo o planeta, já foi qualificado e requalificado vastamente, é um vasto capinzal que alimenta todos os bandidos, os parlamentares corruptos, os concursados em cargos elevados nas estatais, os donos da mídia, os rentistas banqueiros com seus representantes no BC e noutros canais de definição da política financeira com seus juros, câmbio e benesses tributárias sem ônus para lucros e dividendos, enfim, a classe média ilusoriamente elevada à categoria de povão  saindo engalanada nos pontos altos das Avenidas Atlântica e Paulista. 

A classe média foi enganada e levada a sair às ruas em verde e amarelo  para dizer aos pobres negros e burros magros do mundo que o Brasil real quer e vai extinguir a corrupção, o Brasil vai abolir a roubalheira que Luiz Inácio Lula da Silva levou para o Palácio do Planalto.

Não que essas referências sobre o golpe contra a Constituição estejam erradas ou que sejam completas. Aqui são pinceladas. Elas podem até ser ampliadas ou detalhas, nas foi um golpe de Estado absolutamente apoiado pela maioria dos que trabalham no policiamento, as 27 corporações militares, golpe apoiado por segmentos diversos, a Polícia Civil e notadamente muitos jovens delegados federais.

O Brasil rachou.

Golpe com a participação fundamental de procuradores. E o MP, órgão fiscalizador da lei, tem no Brasil um status único. Quase como se formalmente houvesse aqui uma República não de Três Poderes independentes e harmoniosos, mas de cinco, a saber: os clássicos Executivo, Legislativo e Judiciário, e os dois apêndices, o MP brasileiro que não se atrela nem ao Judiciário e nem ao Executivo, e finalmente o maior poder que é a Mídia, alcunhada pelos historiadores mais importantes depois de Marx como o Quarto Poder, o mais violento e eficiente, o definidor de condutas. 

E temos ainda um núcleo condutor coercitivo do nosso dia a dia que é, grosso modo, são os banqueiros, os rentistas, os aplicadores de recursos financeiros.

Sem detalhes por enquanto.

  Esses segmentos, esses atores, são pessoas que podem ser vistas em suas instâncias pessoais e jurídicas, pessoas como seres humanos com CPF e pessoas como instituições previstas em leis, pessoas jurídicas, mas tenham elas CPF, Ponto Org, Ponto Com  ou CNPJ, são apenas segmentos, ainda que descritos pela mídia tradicional como o totum, ou a sociedade inteira, são nomes que estão sendo exibidos como se fossem o povo brasileiro que tem uma diversidade muito maior. 

Esta descrição cínica é obra fundamentalmente dos militantes do golpe político, os maiores milionários, os mais poderosos e eficientes neste esforço para inutilizar as urnas, acabar com o mínimo respeito aos partidos políticos, demonizar a política, acabar com a jovem democracia, a Constituição de 1988.

Neste conjunto minoritário que se pretende  porta-voz da maioria ao arrepio da Carta Cidadã e dos votos sufragados nas eleições de 2014, sobressaem duas espécies especiais de criminosos: os derrotados no pleito, notadamente o PSDB com seus próceres Aécio, Serra, Alckmin e FHC, e os grandes veículos, nas figuras de Marinho, Civita, Mesquita e mais alguns etcs.

Mas ainda assim essa caricatura analítica do golpe de Estado não abrange uma circunstância única a                  inovar a tradição brasileira de um eterno presente colonial, um padrão autoritário de reger as nossas dores, as nossas injustiças, o continuísmo de taxas hediondas de homicídio, trabalho escravo e demais mazelas.

Além desse conjunto de varejo aqui descrito como celebridades beneficiárioasdo golpe, há dois agentes específicos que são os mais poderosos e que são pouco destacados nessa visão sobre causas e consequências desta crise institucional.

O golpe tem, obviamente, em sua ponta, o voto de cada congressista. Mas o parlamento não é ponta de lança dessa violência política. Eduardo Cunha, Michel Temer, Cristovão Buarque, Rodrigo Maia, Moreira Franco, José Serra, enfim, esses próceres não são nomes de proa no processo de ruptura da nossa democracia e dos nossos sonhos de um Brasil melhor.

Os principais agentes (dois, ou talvez três principais agentes) desse processo político que vai provavelmente fazer ou já está fazendo do Brasil uma sociedade pior, uma ainda mais cruel, com mais violência urbana cotidiana e com mais disparidades econômicas e sociais, são jovens brasileiros que se tornaram servidores por concurso no segmento legal, Judiciário e Parquet, são os juízes de primeiro grau, cerca de vinte mil,  os concursados, também cerca de vinte mil preenchendo cargos de procuradores em todas as suas instâncias, os mais de 2 mil do MPF, os promotores dos 27 ministérios dos entes da União, os procuradores atrelados a outros setores do Estado, como Congresso com seu órgão de assessoramento de finanças, o TCU, o setor trabalhista, o militar, a Fazenda, etc.

O golpe de Estado de 2016 tem uma origem, um batismo, ele, qual anedota, um fruto voluntarioso de jovens concursados no MP e na magistratura de primeiro grau, mas hoje ele é a razão de ser do poder dos bancos e da mídia, dois segmentos irmanados que  utilizam aqueles jovens,  os instrumentalizam para baquear outros segmentos conservadores, como os políticos e os magistrados de tribunais superiores, estes na maioria integrados por nomes do mesmo quilate moral dos políticos que os nomeiam.

O mais estranho ou mesmo paradoxal nessa crise institucional é que o voluntarismo e a boa vontade de melhorar o Brasil, de valorizar as boas práticas e coibir a corrupção,  essa campanha de jovens juízes e procuradores, esses servidores imbuídos de bons propósitos, esses tipos Sergio Moro e Dalagnol, rudo isso não passa de uma cortina de fumaça. São na maioria jovens vítimas de seus sonhos, desejos e ambições.

A crítica mais contundente a esses falsos protagonistas os qualifica de uns imberbes fascistas, uns delirantes messiânicos, uns fundamentalistas cruéis e ingênuos. Esta crítica é válida. São jovens essencialmente conservadores, jovens de parca sapiência, ou pouca inteligência, sim, que são concursados (há de se mudar a qualidade dos exames de ingresso). São jovens especializados nas questões dos exames. São jovens que não se auto examinam. E no afã de alcançar eficiência com probidade caíram no território nebuloso da política, que é um espaço em que o vale-tudo congrega salvadores da pátria, demagogos, os mais honestos e os piores ladrões, os grandes atores das palavras e dos disfarces.

 E neste terreno político, onde não há de fato crimes mas apenas eliminação de obstáculos, atuam esses jovens servidores, uns se achando predestinados evangélicos a limpar o cenário tradicional agravado com o surgimento de uma novidade chamada Luiz Inácio da Silva.

Esses servidores quase imberbes, jovens de bom coração, foram apoiados e ao mesmos tempo conduzidos para se portarem como um exército de são jorges contra o dragão trabalhista,  o operário milionário de Garanhuns, o chefão do crime petista organizado que insiste em morar em São Bernardo. 

Esses servidores já acreditavam  que por terem passado em concurso eram especiais, eram mais inteligentes, lástima, com essa fraqueza dos concursos, esses vitoriosos foram facilmente levados a crer que poderiam melhorar o Brasil melhorando a política, depurando-a de seus tumores mais corruptos, suas infecções mais sutis, seus abscessos mais ridículos, óbvios ou espetaculares.

Esses falsos protagonistas da crise institucional, integrando parte importante desses dois ou três núcleos principais do golpe de Estado, não tiveram ou não têm capacidade, nenhum tirocínio para compreender como se tornaram ferramentas dos verdadeiros condutores da crise, o outro núcleo que pode ser visto ou analisado como sendo um único timoneiro, ou uma dupla casada regendo o golpe na jovem democracia da Constituição Cidadã: Banca e mídia.

Outra hora seria mais conveniente para ampliar essa reflexão. Mas, dentro deste núcleo dos imberbes, também qualificados agressivamente como os patetas, os idiotas, os conjecturistas, os presumidores, há nomes menos e mais competentes em suas atribuições específicas, mas todos são iguais não perante a lei, mas numa ignomínia: são politicamente péssimos concursados. Passaram a acreditar demais em quem os empoderou. A maioria desses de primeiro grau passou a se achar tão poderosa quanto a Rede Globo. Não entendem quase nada de política, história e economia. Parecem policiais toscos que se acham os tais porque passaram no concurso.

  A Globo com seus satélites é o "mainstream" (o caudaloso rio principal) da narrativa política e se confunde por sua vez com o setor financista, os bancos, que são acionistas das principais indústrias. Os bancos pensam internacionalmente, pensam dólar.   Mas a mídia brasileira, não, ela ainda é caipira, ainda que atrelada ao capital sem pátria, o dinheiro é o bem mais cosmopolita do mundo.

O golpe de Estado no Brasil é uma violência dos detentores de trilhões de dólares, – e dinheiro não tem pátria e nem fórum – conluiados com a grande mídia porca, o Pig, este sim, absolutamente nacional, brasileiro – Dr. Roberto era chamado pelo Dr. Brito dono do falecido Jornal do Brasil como O Mulato -. 

O golpe é propriedade desses dois segmentos que consideram uma bobagem dobrável esses vinte mil procuradores do Brasil e os dezoito mil Sérgios Moros, cifra aludida por Gilmar Mendes ao clamar contra os abusos de poder pós-golpe dessa turma do primeiro grau, esses concursados se achando heróis e mostrados como heróis pela televisão.

A prevalecer o desejo ou a tese de Gilmar Mendes mais uma vez sairá vitoriosa a tradição conservadora do Brasil do dinheiro pouco e da escravidão muita. 

Foi golpe de avanço em 1989, o fim do império, o início da república um ano depois da abolição da escravatura (O Brasil foi o último ou o penúltimo a encerrar formalmente a escravidão de africanos e descendentes).

 Foi golpe positivo a rebelião que levou em 1930 Getúlio ao poder; foi golpe negativo de Getúlio em 1937 ao inventar que ainda havia o perigo da corrupção e dos pequenos núcleos comunistas reprimidos rápida e espetacularmente em 1935 com a tal quartelada da Intentona.

Foi golpe positivo em 1945 quando os pracinhas voltaram da aliança que com soldados de Washington e Moscou derrotaram os cânceres Hitler e Mussolini.

Foi golpe negativo a lacerdiana campanha do mar de lama que levou o maravilhoso estadista Getúlio não ao suicídio, mas ao martírio, gesto heroico que  impediu que vários golpes negativos se dessem bem nos anos 50. E foi golpe negativo a Revolução de Primeiro de Abril de 1964, quando...

 Bem, estamos diante de um golpe negativo em 2016. E há novidades nesta crise institucional: uma é a internet barrando a lama da samarco midiática. Outra é a juventude se politizando precocemente na mesma internet em quem tanta gente patina só nos lazeres e na dispersão luminosa.

Outra senão novidade uma esperança é que entre os vinte mil procuradores e os dezoito mil juízes de primeiro grau, apesar da má influência dos Moro e Dalagnol mais famosos humilhando os tribunais superiores totalmente acovardados, a maioria talvez não seja de imberbes pretensiosos como esses Dalagnol e Sergio Moro, dois burros querendo fazer política com Lula morto.

A não-novidade no golpe de 2016 é quase uma curiosidade ligando os dois grandes atores: um é o dinheiro dos bancos, dinheiro que sempre se moderniza ou se atualiza ou cobra juros e lucros,  o outro é só  e  fala velha, a grande mídia, mas esta está tão velhinha que não vai longe.

Estamos em alto-mar. Só dois grandes países, salvo engano, ainda não tiveram uma grande guerra civil: Japão e Brasil. Oxalá não tenhamos.

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