Eduardo Cunha numa cela da PF em Curitiba:
- O impeachment foi golpe
Entrevista Falsa
ENTREVISTADOR FALSO – Deputado Eduardo Cunha, o senhor não acha que essa medida cautelar, essa prisão por tempo indeterminado, não é uma clara violação da Carta Constitucional?
EDUARDO CUNHA FALSO – Claro que é. Estamos apresentando um recurso ao Supremo porque as alegações aceitas pelo juiz aqui são as mesmas não aceitas pelo Supremo, que não atendeu ao mesmíssimo pedido formulado por procuradores de Brasília.
EF – Deputado, procuradores não deram coletiva sobre a sua prisão e adiantaram que não querem saber de acordo de colaboração premiada. O que pensa disso?
ECF - Não deram coletiva porque não quiseram e se dessem teriam de explicar por que não aguardaram a decisão do Supremo sobre o mesmo pedido que eles para lá e enviaram, mesmo pedido que, diante do silêncio do STF, decidiram enviar ao juiz paranaense. É estranho que um juiz de primeiro grau atropele a mais alta corte.
EF – Mas deputado, o juiz alegou que o senhor poderia fugir do país...
ECF – Você acha que em plena era do tempo real alguém como eu, que ocupei a presidência da Câmara, poderia circular no exterior sem ser rapidamente localizado? A alegação é fraca, bisonha até. A minha prisão foi meramente uma política de exibição do meritíssimo, que está medindo forças com juízes de tribunais superiores.
EF – Dr. Eduardo, os federais vasculharam a sua casa no Rio e em Brasília. Pode me dizer se eles encontraram aquelas cem páginas que já teriam sido escritas do seu livro que estaria para ser lançado no dia 15 de novembro?
ECF – Não encontraram porque esse material não estava lá. Agora estou aguardando ser chamado pelo juiz, mas ele não tem prazo para me interrogar. Vou falar do livro com ele na primeira oportunidade.
EF – A sua prisão não inviabiliza a conclusão do livro?
ECF – Ainda não sei. Preciso ver quais direitos tenho como alguém encarcerado mesmo cabendo muitos recursos contra essa medida descabida. Sou um réu, não sou um condenado. Pela Carta de 1988, enquanto houver possibilidade de apresentar recursos, prevalece a presunção de inocência.
EF – Dizem à boca miúda no Congresso que muita gente em Brasília estaria temerosa com relação a uma possível delação premiada de sua parte. O que tem a dizer?
ECF – O que venho dizendo. Fiz muitos aliados, mas sempre numa parceria correta, republicana. Fui o principal artífice da queda da Dilma, esse troféu é meu e ninguém pode me desmentir. Muita gente me é grata. Não tenho provas de corrupção envolvendo congressistas e membros do governo Temer. Apenas posso dizer o que todo mundo sabe: Moreira Franco é o nome forte do governo, e como eu disse, ele é a raposa tomando conta do galinheiro. E botou o genro para ocupar o meu lugar na Câmara. Mas não creio que essa dupla vá longe.
EF – Deputado, naquele grampo de maio passado, feito pelo Sérgio Machado, o senador Jucá num dado momento diz que todo mundo sabe que Eduardo Cunha é Michel Temer, mas que o senhor já estaria morto. E disse que era preciso tirar logo a mulher, estancar a sangria, porque do contrário estaria todo mundo já oferecido numa bandeja, e citou o caso de Aécio, todo mundo conhece o esquema de Aécio. Por acaso ele se referia a Furnas? E o senhor tem algum envolvimento com Furnas e Aécio?
ECF – Sempre mantive relações respeitosas com Aécio. Aliás, também respeitosas com Michel Temer. Mas a verdade é que Michel sempre foi um parlamentar ruim de voto. Eu fui acusado de controlar o que chamaram de Baixo Clero na Câmara. Isso não é correto. Formei muitas parcerias, ajudei e fui ajudado. Mas, claro, estamos vivendo um tempo em que a exibição de um tipo de telejornalismo está pesando excessivamente nas costas do Legislativo e do Judiciário. Por instinto de sobrevivência midiática é que Moreira e Rodrigo Maia conseguiram arrumar mais de 400 votos pela minha cassação. Até compreendo tantas decepções de deputados que jamais imaginei pudessem aceitar aquele meu linchamento. O Michel Temer, além de não ser bom de urna, não é um bom condutor de alianças. O núcleo duro que o cerca é que está dando as cartas. Temer parece até a Rainha da Inglaterra. Quem está mandando, além de Moreira e Rodrigo, é o Serra e o Alckmin em São Paulo, e com um projeto de administração absolutamente temerário. Nesses cinco meses, já dá para ver que este governo é pior do que o que botamos pra fora.
EF – E as PECs, a do pré-sal, a do teto de gastos, a MP com a reforma do ensino, são essas medidas que estão levando o Temer ao fracasso?
ECF – Claro. Eles estão ignorando todo mundo. Eles acham que com aqueles 400 deputados na mão e 60 senadores vão fazer uma revolução na administração da economia. Mas é puro açodamento. A lua de mel com a mídia está chegando ao fim.
EF – Mas o senhor compreende que foi preservado no ato de prisão e condução até aqui em Curitiba. Ou não?
ECF – Comparando com as prisões de outros, que foram algemados e filmados pelas televisões, sim, o juiz me preservou, talvez pensando que petistas poderiam fazer propaganda com a minha imagem ainda mais humilhada. Mas do ponto de vista pessoal isso não é nada. O juiz tirou a minha liberdade por presumir que isso é bom não para a sociedade, não para a ordem pública, nada disso, presumiu que é bom para ele. Este juiz, como alguns procuradores, tem força enquanto notícia. É uma força desproporcional aos poderes envolvidos nesse imbróglio político, uma força que não corresponde aos fatos.
EF - Mas explique essa análise de que a lua de mel com a mídia está chegando ao fim...
ECF – Michel Temer, num cenário, cai antes do réveillon para que Rodrigo Maia termine os dois anos do mandato da Dilma. No outro, cai no verão de 2017 para que os 400 deputados e os 60 senadores escolham um nome para terminar o processo de impeachment tal qual em 1964. Naquele movimento de parlamento, imprensa e oficiais das Forças Armadas, o vice, o Jango, já estava no terceiro ando do mandato de Jânio Quadros. Portanto, a Constituição previa em 30 dias a eleição indireta de alguém para concluir o mandato. O nome do Castelo Branco surgiu meio que do nada, elemento surpresa.
EF - E em caso de queda de Temer no começo do ano que vem, quem o senhor acha que poderia ser o elemento surpresa a ser ungido pelo Congresso?
ECF – Difícil pinçar alguém. Os nomes citados serão os mais improváveis, como FHC, o juiz da Lavajato, ou o Gilmar Mendes. Acredito que escolham um nome mais neutro aos olhos do eleitorado e bom para o parlamento. Um nome que não aterrorize os congressistas e nem aterrorize os que ainda hoje não aceitam o processo de impeachment da Dilma. Provavelmente um jurista apartidário que seja bem crítico do modus operandi no MP e na PF. Eu liderei um processo político para derrubar Dilma. Mas juízes, policiais e procuradores não podem fazer o mesmo para derrubar a Constituição. Não podem se meter a conduzir um processo político. Juiz é juiz, político é político. O juiz que me prendeu se excedeu muitas vezes, mas a televisão que o apoiava já começou a enfraquecê-lo.
EF – O senhor também tem armas para enfrentar o juiz e para ajudar a encerrar o poder dos que o traíram e estão com Michel Temer, não?
ECF – Muitos acham que tenho, que dispondo de provas contra muita gente. Mas isso não é verdade. Disseram que bloquearam bens meus correspondendo a mais de duzentos milhões. Meu Deus, como me enriqueceram tanto assim? Vou aqui lutar pelos meus direitos como estabelece a lei, a Constituição.
EF-
E na hipótese de a Lavajato se sentir politicamente pressionada e aplicar uma
preventiva contra a sua filha e contra a Claudia Cruz? O senhor não seria
tentado a reagir de modo mais contundente?
ECF – Não quero nem pensar nessa hipótese.
ECF – Não quero nem pensar nessa hipótese.
EF
– Voltando ao seu livro, as primeiras cem páginas, e as outras, onde estão?
ECF - As 100 primeiras estão com uma pessoa de confiança. As outras estão na minha cabeça. As provas, a partir das minhas agendas, estas sim, apreendidas, são facilmente rastreáveis e obtidas.
EF – E iriam incriminar muita gente?
ECF - As 100 primeiras estão com uma pessoa de confiança. As outras estão na minha cabeça. As provas, a partir das minhas agendas, estas sim, apreendidas, são facilmente rastreáveis e obtidas.
EF – E iriam incriminar muita gente?
ECF
– Não, pouquíssimas pessoas apenas. Não tenho propriamente provas de delitos
cometidos por outros atores, tenho apenas indícios, e com isso uma investigação
séria e criteriosa confirmaria ou não as suspeitas.
EF
– O senhor acredita que Temer vá renunciar?
ECF
– Não. Eu penso que ele vai ser destruído ou por tucanos ou pelo segmento
chefiado hoje por Moreira Franco e Rodrigo Maia.

EF – E sobre Lula, deputado, dizem que a sua prisão ocorreu só para passar uma imagem imparcial do juiz Moro e assim permitir que ele prenda o ex-presidente.

EF – E sobre Lula, deputado, dizem que a sua prisão ocorreu só para passar uma imagem imparcial do juiz Moro e assim permitir que ele prenda o ex-presidente.
ECF
– Pensei nessa possibilidade. Como no meu caso, Lula é objeto de um processo
político. E sou obrigado a concordar com os que ainda gostam do ex-presidente,
mas as acusações contra Lula e Dilma são apenas apenas peças de um processo político,
carecem de fundamentos jurídicos. Ajudei a tocar o impeachment enquanto processo político
de interrupção de um mandato. Não sou culpado se eventualmente amanhã a
sociedade entender que não havia os
elementos jurídicos para embasar constitucionalmente a derrubada da presidente
Dilma. Mas eu me vanglorio de ter dado o start político da cassação dela. Quem
tem de ser responsabilizado pela cassação efetiva é o Senado e o Supremo. Agi politicamente,
não serei culpado se ela tiver sido cassada sem as provas previstas na
Constituição. O Senado é o responsável se se comprovar que não houve crime.
EF – O senhor não inclui a televisão nesse conjunto Supremo-Senado que cassou a Dilma?
ECF – Claro, a TV Globo é considerada por muitos como o poder de fato mais poderoso do Brasil, mas estou revendo essas minhas considerações. Tupi or not Tupi. Impérios caem.

EF – O senhor não inclui a televisão nesse conjunto Supremo-Senado que cassou a Dilma?
ECF – Claro, a TV Globo é considerada por muitos como o poder de fato mais poderoso do Brasil, mas estou revendo essas minhas considerações. Tupi or not Tupi. Impérios caem.

EF – Em que cenário o senhor vislumbra a decadência do poder da televisão?
ECF – Rua. O processo político de 2016 não teve rua. Alckmin com a Globo fez um trabalho sério de criminalizar qualquer manifestação de rua contra o impeachment. Mas o fato de não ter havido não é garantia de que não haverá.
EF
– O senhor ainda não disse se acredita numa iminente prisão de Lula...
ECF
– Tudo pode acontecer quando um juiz tem mais poder do que o Supremo. Mas ainda
acho uma temeridade prender Lula com base em acusações absurdamente frágeis.
Lula não é do tipo Barusco, Cerveró e Delcídio. Lula é do tipo Dilma e Dirceu,
são esquerdistas que querem pegar dinheiro dos ricos e dar aos pobres. O
discurso deles não é o de auto enriquecimento. Eles são muito mais perigosos do
que julgam esses jovens procuradores, alguns delegados e parte da magistratura.
EF – O senhor acredita que a prisão de Lula possa causar protestos de rua, convulsão maior?
ECF – Tenho minhas dúvidas. A curto prazo, acho que não. Mas entre as minhas incertezas, acredito que prender Lula é um ato político de extrema gravidade, uma temeridade. Lula é odiado pela classe média, mas ao mesmo tempo é amado por uma multidão de pobres.
EF – Mas o jornalismo político não mostra isso, até esconde as pesquisas em que Lula aparece como favorito para 2018. Acredita que ele terá concorrente?
ECF – Acredito em qualquer coisa que me façam acreditar. Nem sei mais se haverá eleições em 2018. Com dois terços do Congresso totalmente nas mãos de Rodrigo Maia e Renan, o mais provável é que, com a televisão, o conjunto promova mais uma reforma e adote o parlamentarismo.
EF – Mas esse modelo foi rejeitado em plebiscito uns vinte anos atrás...
ECF – Neste momento político do impeachment, o voto popular não tem mais grande valor.
EF – O senhor acredita que a prisão de Lula possa causar protestos de rua, convulsão maior?
ECF – Tenho minhas dúvidas. A curto prazo, acho que não. Mas entre as minhas incertezas, acredito que prender Lula é um ato político de extrema gravidade, uma temeridade. Lula é odiado pela classe média, mas ao mesmo tempo é amado por uma multidão de pobres.
EF – Mas o jornalismo político não mostra isso, até esconde as pesquisas em que Lula aparece como favorito para 2018. Acredita que ele terá concorrente?
ECF – Acredito em qualquer coisa que me façam acreditar. Nem sei mais se haverá eleições em 2018. Com dois terços do Congresso totalmente nas mãos de Rodrigo Maia e Renan, o mais provável é que, com a televisão, o conjunto promova mais uma reforma e adote o parlamentarismo.
EF – Mas esse modelo foi rejeitado em plebiscito uns vinte anos atrás...
ECF – Neste momento político do impeachment, o voto popular não tem mais grande valor.
EF
– Para concluir, pode detalhar seus planos sobre o livro “Impeachment”? E o
senhor acredita que o Supremo tenha coragem de relaxar a sua prisão?
ECF – Não sei. Mas não entendo por que acham que eu preso ajudo a manter a ordem
pública. Eu solto mantive. O mais grave que ocorreu foi aquela senhora no
aeroporto me xingando e me dando bolsada, querendo me dar chinelada. Mas eu preso, e espero que não incomodem a
minha família, não posso dar chinelada em ninguém. Não tenho nada a delatar.
Não sou Judas. Mas acredito que o meu silêncio fica eloquente demais dentro de
uma prisão. Se eu fosse eles eu me soltava. Como não sou, torço para que sejam
punidos pelos abusos de poder do ponto de vista jurídico. A minha prisão é um
absurdo jurídico e um abuso constitucional, é prova de que o Judiciário está
cometendo um crime político continuado. Neste sentido concordo plenamente com
Lula. Quem vai conter esse descalabro judicial é a política. Só que este
Congresso que tanto defendi também foi vitimado pela presunção de culpa e está
totalmente acovardado. O Congresso virou moleque de recados de Moreira Franco,
virou agência de publicidade da televisão. Estão enfiando os pés pelas mãos. Mas
é a política que vai determinar os rumos do impeachment.
EF – Com multidão nas ruas?
ECF – Não sei, talvez com Forças Armadas... Mas não creio que referendem o processo de impeachment que apenas abri. Não julguei Dilma. Quem julgou e condenou foi o Senado. Mas o pior cenário para Brasília é multidão nas ruas com o apoio de Forças Armadas, uma saída meio turca, prendendo políticos, prendendo procuradores, prendendo juízes, prendendo...
EF – Com multidão nas ruas?
ECF – Não sei, talvez com Forças Armadas... Mas não creio que referendem o processo de impeachment que apenas abri. Não julguei Dilma. Quem julgou e condenou foi o Senado. Mas o pior cenário para Brasília é multidão nas ruas com o apoio de Forças Armadas, uma saída meio turca, prendendo políticos, prendendo procuradores, prendendo juízes, prendendo...
EF
– Acredita mesmo nisso?
ECF – Não, é apenas o cenário mais radical.
ECF – Não, é apenas o cenário mais radical.
EF
– O senhor não acha coincidência que a sua prisão tenha ocorrido no mesmo dia,
ou horas depois que saiu a notícia de
que a Justiça da Suíça rechaçou o último recurso da Odebrecht e autorizou que o
MP daquele país envie ao Brasil uma listagem de duas mil páginas, depósitos que
a empreiteira fez no exterior a brasileiros, muitos em contas trust como as suas?
ECF - Meu advogado mencionou essa coincidência. No começo rechacei. Mas depois fui tecendo comparações dos padrões das prisões anteriores. Sempre às 6 horas da manhã. A minha prisão foi depois do meio-dia. A prisão de Palocci, por exemplo, só foi efetivada mais de um mês depois que o juiz assinou a ordem de captura. O casal de marqueteiros veio do exterior para se entregar, mas mesmo assim foi algemado e exibido na televisão. Mas sobre esses extratos da Odebrecht, bem, acredito que cruzando os dados com aquelas nomes, valores, apelidos, nas duas listas da empreiteira com mais de duzentos políticos, vamos ter algumas surpresas. Acredito sim que o juiz prende quem ele quer, usa a televisão para se mostrar ainda mais poderoso, escolhe as datas para ganhar ou abafar manchetes. O juiz é um exímio articulador de edições. Agora preso começo a compreender o Cerqueira Leite e o Elio Gaspari, o cara é mesmo um inquisidor. A sensação minha aqui nesta cela é que o juiz sofreu bullying em algum momento da sua vida e hoje, num quadro meio psicanalítico, brinca com a Constituição e faz mais do que justiça, faz bullying em qualquer um que não seja dos quadros do PSDB.
EF – Mas tão partidarizado assim?
EC – Sim, o clima é café com leite. São Paulo e Minas. Moro é paranaense por acaso de parto. Seu modus operandi é totalmente paulistano, é Dória, é FHC, Serra. E o lado mineiro desse quadro político é o MPF sob a regência do mineiro Rodrigo Janot, também nitidamente simpático à causa de Aécio, Azeredo e Anastazia.
EF – Mas o senhor é visto como o condutor de tudo isso, a imprensa mundial noticiou que o Brasil prendeu por corrupção o maestro do impeachment. Como vê a imprensa mundial?
ECF - Meu advogado mencionou essa coincidência. No começo rechacei. Mas depois fui tecendo comparações dos padrões das prisões anteriores. Sempre às 6 horas da manhã. A minha prisão foi depois do meio-dia. A prisão de Palocci, por exemplo, só foi efetivada mais de um mês depois que o juiz assinou a ordem de captura. O casal de marqueteiros veio do exterior para se entregar, mas mesmo assim foi algemado e exibido na televisão. Mas sobre esses extratos da Odebrecht, bem, acredito que cruzando os dados com aquelas nomes, valores, apelidos, nas duas listas da empreiteira com mais de duzentos políticos, vamos ter algumas surpresas. Acredito sim que o juiz prende quem ele quer, usa a televisão para se mostrar ainda mais poderoso, escolhe as datas para ganhar ou abafar manchetes. O juiz é um exímio articulador de edições. Agora preso começo a compreender o Cerqueira Leite e o Elio Gaspari, o cara é mesmo um inquisidor. A sensação minha aqui nesta cela é que o juiz sofreu bullying em algum momento da sua vida e hoje, num quadro meio psicanalítico, brinca com a Constituição e faz mais do que justiça, faz bullying em qualquer um que não seja dos quadros do PSDB.
EF – Mas tão partidarizado assim?
EC – Sim, o clima é café com leite. São Paulo e Minas. Moro é paranaense por acaso de parto. Seu modus operandi é totalmente paulistano, é Dória, é FHC, Serra. E o lado mineiro desse quadro político é o MPF sob a regência do mineiro Rodrigo Janot, também nitidamente simpático à causa de Aécio, Azeredo e Anastazia.
EF – Mas o senhor é visto como o condutor de tudo isso, a imprensa mundial noticiou que o Brasil prendeu por corrupção o maestro do impeachment. Como vê a imprensa mundial?
EC
– A mídia dos países ricos se libertou da versão de impeachment legalista que a
imprensa brasileira martelou por meses a fio. Estou também me libertando desse
esquema. Agora preso sinto na carne que os abusos cometidos no golpe do
impeachment podem alcançar qualquer pessoa inocente.
EF – Deputado, salvo engano, é a primeira vez que o senhor se refere ao impeachment da Dilma como golpe. Foi ato falho ou mudou de posição?
EC – Não foi ato fato. Estou fazendo orações para que eles não botem as mãos na minha filha e na minha mulher. Depois de trinta horas dentro de uma cadeia a gente repensa uma vida inteira. A minha está só recomeçando.
EF – Para concluir, o senhor pode declinar o nome de quem está com as 100 primeiras páginas e dizer se essa pessoa tem dados para continuar o livro mesmo diante desta prisão?
ECf – O livro não está só com uma pessoa, mas uma equipe. Podem continuar o trabalho, há um nome principal nessa confecção, mas não podem concluir sem a minha participação. Não será um livro grande, cerca de 200 páginas apenas. Não vai acusar ninguém de ser ladrão, vai apenas elencar pistas e indícios.
EF – Atinge mais qual partido?
EC – Por incrível que pareça, o menos atingido é o PT.
EF – Nada contra Lula?
ECF – De relevante, não. Lula é José Dirceu, todo mundo sabe disso. O grande erro de Lula foi ungir uma mulher totalmente despreparada para reger uma base aliada. Era uma tecnocrata que nem o Serra e não queria conversa com ninguém no Congresso. Fui obrigado a iniciar o processo do impeachment. E se amanhã a Dilma virar heroína da História ninguém vai poder dizer que fui eu que a condenei. Só abri o processo, quem processou e condenou foram o Senado, o Supremo e a TV Globo. Mas ao abrir esse processo, creio que abri também, até meio inconscientemente, um processo mais amplo. O Brasil não será mais o mesmo. É um padrão universal: as multidões no mundo inteiro votam maciçamente contra golpistas.
EF – Deputado, salvo engano, é a primeira vez que o senhor se refere ao impeachment da Dilma como golpe. Foi ato falho ou mudou de posição?
EC – Não foi ato fato. Estou fazendo orações para que eles não botem as mãos na minha filha e na minha mulher. Depois de trinta horas dentro de uma cadeia a gente repensa uma vida inteira. A minha está só recomeçando.
EF – Para concluir, o senhor pode declinar o nome de quem está com as 100 primeiras páginas e dizer se essa pessoa tem dados para continuar o livro mesmo diante desta prisão?
ECf – O livro não está só com uma pessoa, mas uma equipe. Podem continuar o trabalho, há um nome principal nessa confecção, mas não podem concluir sem a minha participação. Não será um livro grande, cerca de 200 páginas apenas. Não vai acusar ninguém de ser ladrão, vai apenas elencar pistas e indícios.
EF – Atinge mais qual partido?
EC – Por incrível que pareça, o menos atingido é o PT.
EF – Nada contra Lula?
ECF – De relevante, não. Lula é José Dirceu, todo mundo sabe disso. O grande erro de Lula foi ungir uma mulher totalmente despreparada para reger uma base aliada. Era uma tecnocrata que nem o Serra e não queria conversa com ninguém no Congresso. Fui obrigado a iniciar o processo do impeachment. E se amanhã a Dilma virar heroína da História ninguém vai poder dizer que fui eu que a condenei. Só abri o processo, quem processou e condenou foram o Senado, o Supremo e a TV Globo. Mas ao abrir esse processo, creio que abri também, até meio inconscientemente, um processo mais amplo. O Brasil não será mais o mesmo. É um padrão universal: as multidões no mundo inteiro votam maciçamente contra golpistas.
EF
– Bem deputado, agora está claro que não foi ato falho considerar que o impeachment
foi mesmo um golpe de Estado. Muito obrigado. Desejo-lhe boa sorte e o mais amplo
direito de defesa, que o senhor possa se defender em liberdade e que, se for
condenado, pague, mas apenas depois do trânsito em julgado.
ECF – Você acredita que a grande imprensa vai dar destaque a essa entrevista?
ECF – Você acredita que a grande imprensa vai dar destaque a essa entrevista?
EF
– Claro que não. Assim como censurou as duas listas da Odebrecht, assim como
vai procurar esvaziar as duas mil páginas que estão chegando do MP da Suíça, os
golpistas sabem que com a internet ninguém está acima da verdade, nem a televisão.
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